O filme não mergulha EXPLICITAMENTE no tema até o final, mas pra bom entendedor, meio silêncio basta.
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| (Créditos: Divulgação) |
Springsteen: Salve-me do Desconhecido não é aquele filme que te entrega respostas na cara, explicações ou grandes reviravoltas. Ele funciona mais como um retrato, daqueles que você observa em silêncio, tentando entender os detalhes, os gestos, o que está por trás do olhar do personagem. E nesse sentido, o filme acerta em cheio na proposta: mostrar a depressão não como evento dramático, mas como uma presença crescente e constante.
Visualmente, o filme de Scott Cooper é muito bem feito, porque sabe migrar de momentos eufóricos no palco pra cenas cruas e intimistas. Quando usa uma fotografia fria, cenários que parecem ecoar solidão e uma direção que prefere o não dito ao óbvio, acerta em cheio também. A trilha sonora segue a mesma lógica: discreta, quase tímida, mas sempre alinhada ao estado emocional do protagonista, vivido aqui por um Jeremy Allen White que dá show. A atuação merece muito destaque, porque tem verdade ali: nos silêncios desconfortáveis, nos momentos de apatia, nos raros instantes de conexão humana. É o tipo de performance que não tenta ser grandiosa, mas honesta. E funciona.
Por outro lado, o filme parece evitar mergulhar completamente no tema. Ele toca, observa, mostra de leve... mas não explora suas camadas mais profundas. Quem espera um estudo psicológico intenso ou abordagens amplas sobre causas, tratamentos, rupturas ou transformações talvez sinta falta de algo. Springsteen se mantém seguro dentro de uma narrativa mais contemplativa do que analítica. Ainda assim, vai conversar muito bem com quem já sentiu a depressão, e sabe como ela corrói, ao ser aquele sentimento (ou falta deles) que a gente não consegue nomear. Não consegue fazer NADA a não ser sentir uma sensação de vazio deprimente.
Mas isso não tira seu mérito. Mesmo raso em conteúdo, o filme é forte em sensação. Ele não explica a depressão, pois faz o espectador sentir. E para muitos, isso já é poderoso o bastante.
No final, Springsteen: Salve-me do Desconhecido é um filme silencioso, bonito e emocional. Não é revolucionário, mas é sincero. E serve pra mostrar que depressão não escolhe um alvo, independente do quão famoso ou rico você seja.
NOTA: 8/10

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