Resenha: Zona Zero começa meio lento, mas funciona muito bem e vai prender sua atenção

 Filme de zumbi inteligente é outro nível

(Créditos: Divulgação)

Dirigido por Yeon Sang-ho, o mesmo responsável por Invasão Zumbi, Zona Zero chegou aos cinemas cercado de expectativas. Antes mesmo da estreia comercial oficial, o filme já havia conquistado espaço no 79º Festival de Cannes, integrando a Mostra da Meia-Noite. Um reconhecimento interessante para uma produção que aposta justamente no terror e na tensão para contar sua história. Com roteiro assinado por Yeon Sang-ho e Choi Gyu-seok, o filme reúne nomes como Jun Ji-hyun, Koo Kyo-hwan, Ji Chang-wook, Shin Hyun-bin, Kim Shin-rok e Go Soo.

Mas será que o novo trabalho do diretor consegue trazer algo interessante para um gênero que já foi explorado de tantas maneiras? A resposta é... sim!

Muito mais que só um apocalipse zumbi

Existe algo bastante interessante em Zona Zero: a maneira como o filme entende que uma boa história de zumbis não precisa se resumir a pessoas correndo, gritando e atirando em criaturas que insistem em andar na direção errada.

A produção aposta em uma atmosfera que, em alguns momentos, lembra bastante The Last of Us. Os infectados não são apenas um bando de criaturas desorientadas e sem propósito. Eles representam uma ameaça muito mais inteligente, imprevisível e consequentemente, assustadora.

Em determinados momentos, é difícil não lembrar também de Guerra Mundial Z, justamente pela maneira como os zumbis são apresentados e pela seriedade com que o filme trata essa ameaça.

Ciência, estratégia e sobrevivência

Gostei muito que o filme tem toda uma pegada científica e biológica. Aqui, os personagens não podem simplesmente sair eliminando tudo o que encontram pelo caminho. É preciso observar, pensar, entender o comportamento dos infectados e encontrar maneiras de sobreviver.

Essa dinâmica dá ao filme uma camada de tensão que vai além da ação, fazendo com que cada decisão tenha importância. É interessante acompanhar personagens que precisam usar a inteligência e os conhecimentos que possuem para tentar encontrar uma solução, em vez de simplesmente sair metendo chumbo em qualquer coisa que cambaleie.

Nem todo sobrevivente é confiável

E essa sensação de perigo não se limita aos monstros. A dinâmica entre os sobreviventes também merece destaque.

Conforme a história avança, diferentes personagens acabam se reunindo, criando aquela impressão de que um grupo está se formando para enfrentar o caos. Mas essa união não dura exatamente como se espera. Aos poucos, interesses individuais começam a falar mais alto, e alguns passam a defender apenas o próprio lado, colocando suas necessidades acima das dos demais.

Sem entregar spoilers, essa dinâmica contribui bastante para a atmosfera de paranoia do filme. Afinal, em um cenário onde qualquer encontro pode representar uma ameaça, confiar nas pessoas ao seu redor pode ser tão arriscado quanto enfrentar os próprios monstrengos.

Um vilão bem feladap... mas interessante

Não posso deixar de falar do vilão!

Interpretado por Koo Kyo-hwan, p personagem é um sujeito asqueroso, sarcástico, e com zero escrúpulos. Mas existe algo interessante na construção do personagem: por mais repulsivas que sejam suas atitudes, ele consegue apresentar argumentos que fazem algum sentido em determinados momentos.

É aquele tipo de antagonista que você não necessariamente apoia, mas não consegue ignorar. Tem carisma, tem presença e, infelizmente, até consegue fazer a gente dar razão a ele em algumas situações.

Qualquer um pode rodar

Outro mérito está na maneira como o longa lida com seus personagens. O filme não parece ter apego excessivo a ninguém, deixando aquela sensação constante de que qualquer um pode morrer a qualquer momento. E isso faz diferença, porque nunca sabemos exatamente o que esperar das próximas situações.

A ambientação também ajuda bastante a construir essa atmosfera desconfortável. Aliás, desconfortável é uma boa palavra para definir alguns momentos do filme. Logo no começo, já bate aquele nojo que faz a gente pensar duas vezes antes de continuar assistindo, kkkkk.

No fim das contas, Zona Zero é uma grata surpresa. Um filme que entende que o terror pode estar tanto nos monstros quanto nas pessoas, e que sobreviver exige muito mais do que simplesmente saber atirar.

É inteligente, tenso, visualmente desconfortável e consegue entregar uma experiência bastante interessante dentro de um gênero que, convenhamos, já precisava de algumas ideias novas.

Nota: 7/10.

Recomendadíssimo!

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