Resenha: Adulto e grotesco, Cara-de-Barro vai te dar agonia (e isso é ótimo)!

Com body horror e uma trama sombria, novo filme do DCU se aventura num estilo novo para os filmes de heróis

(Créditos: Divulgação)

Eu sempre gostei quando os filmes de super-heróis decidem se aventurar por outros gêneros, em vez de seguir aquela mesma fórmula de sempre. E Cara-de-Barro é um ótimo exemplo de como essa liberdade pode render histórias interessantes.

Dirigido por James Watkins e estrelado por Tom Rhys Harries como Matt Hagen, o longa aposta no terror para mostrar a transformação de um homem que vê sua vida ir pro buraco. E prepare-se: o body horror provoca agonia em vários momentos, explorando o lado mais grotesco dessa transformação e dando até nojo em alguns momentos.

Entre o médico e o monstro


Assistindo ao filme, não consegui deixar de lembrar de Coringa (2019). Não porque sejam histórias iguais, mas pela forma como expõem o lado sujo e corrupto da humanidade.
Matt Hagen funciona muito bem justamente por carregar aquela essência dos gibis. Ele vive um conflito constante entre o sofrimento que enfrenta e as próprias atitudes. A dinâmica de médico e monstro funciona porque por trás da transformação física, existe alguém que nem sempre consegue separar a própria dor das consequências de suas escolhas. Um dos pontos que me incomodaram é recorrer à velha fórmula da vingança: alguém faz mal ao protagonista e isso vira combustível para as suas ações. É um recurso que pode acabar amaciando demais certos vilões, como se sofrer fosse justificativa pra surtar e resolver tocar o terror.

Felizmente, Matt não é nenhum santo. Parte do que acontece com ele também é consequência do que faz, e o filme não apaga completamente essa responsabilidade.

O futuro do DCU


Talvez o grande acerto do universo de James Gunn seja justamente permitir que cada produção tenha sua própria identidade. Terror, comédia, aventura, ficção científica... A DC tem espaço para explorar diferentes gêneros e classificações indicativas sem precisar transformar tudo na mesma coisa.
O ruim é que essa liberdade tem um preço. Dificilmente todos os filmes terão o apelo popular ou as bilheterias colossais dos maiores sucessos do MCU. Mas será que todo filme precisa mesmo virar um fenômeno mundial?

Cara-de-Barro tem seus tropeços, mas mostra como vale a pena correr riscos e explorar possibilidades diferentes dentro do cinema de super-heróis.

Nota: 8/10

Ah, e por via das dúvidas: Se alguém chegar em você do nada numa festa, dá meia volta e vaza!

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